segunda-feira, 5 de março de 2012

Multibloqueadores à criatividade e inovação

MULTIBLOQUEADORES À CRIATIVIDADE E A INOVAÇÃO

Meu trabalho é inspirar pessoas. É criar espaço para elas,
abrir clareiras criativas no meio da burocracia corporativa.
Steve Jobs

Neste  capítulo vamos nos ater aos aspectos que cerceiam a criatividade e, consequentemente, a inovação. De nada adianta o processo visionário para ligar a ideia semente à inovação, se não conseguirmos eliminar os diversos fatores limitadores à criatividade  existentes.

Antes de nos enveredarmos na selva dos multibloqueadores empresariais, talvez seja interessante analisar duas empresas líderes em seus segmentos que tratam esse assunto absolutamente de forma divergente: o Google (OLIVEIRA, 2010, p. 1 e COSTA, 2010, p. 32 a  43) e a Wal-Mart (GUROVITZ, 2005, p. 22 a 28).

A primeira, sonho de emprego da maioria dos jovens da geração Y, não encontra problemas com o uso das redes colaborativas, nem  tão pouco com o cumprimento de horário por parte de por seus colaboradores. Segundo Matsuo (citado por Oliveira, 2010, p.1) “a produtividade não está atrelada ao “bater ponto””. O capital humano é muito valorizado e existe uma grande preocupação com o recrutamento e a retenção de talentos. O ambiente empresarial é descontraído, personalizável e possui ambientes que “fazem esquecer que se está em um escritório comercial” (COSTA, 2010, p. 32).  Sua missão [1] “é organizar as informações do mundo todo e torná-las acessíveis e úteis em caráter universal”. Fundada em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, possui cerca de 20.000 colaboradores. É uma das empresas que mais cresce no mundo.

A segunda, Wal-Mart,  foi criada em 1962 por Sam Walton (falecido em 1992). A sede da companhia é em Bentonville, uma pequena cidade do Arkansas com cerca de 26.000 habitantes. É a maior rede varejista do mundo com cerca de  1,7 milhão de funcionários e (em 2005) cerca de 300 bilhões de dólares em vendas anuais.

Para seus críticos, é símbolo de tudo que há de errado no capitalismo e na globalização. Uma corporação , que compra produtos a preço de banana em países asiáticos, compactuando com trabalho semi-escravo, para revendê-los garfando suculentas margens de lucro. Uma empresa com tentáculos gigantescos, capazes de destruir o pequeno comércio e de espremer cada centavo nas negociações com fornecedores, até levá-los à bancarrota. Um empregador cruel, que paga os piores salários do mercado, discrimina mulheres e minorias, desdenha planos de saúde e combate ferozmente os sindicatos (...). Um grupo de fanáticos moralistas, capazes de censurar CDs, filmes e livros, de proibir remédios legais – como uma versão da pílula do dia seguinte – e de tentar impor ao resto do planeta a cultura caipira do Meio-Oeste americano.
(GUROVITZ, 2005, p.23-24)

Os dois modelos de gestão, antagônicos entre si, nos levam a refletir sobre o sentido da existência dos modelos apresentados. O primeiro, de vanguarda, reflete parcela significativa do pensamento empresarial do autor. O segundo, apesar de produzir resultados financeiros excepcionais, não se alinha com nossos valores e percepções.             

2.1.           Modelos mentais antigos e limitadores


Antes de identificarmos os diversos bloqueadores decorrentes de nossos modelos mentais, vamos entender como funciona a nossa rede neural.
 O cérebro humano é considerado o mais fascinante processador baseado em carbono existente, sendo composto por aproximadamente 10 bilhões neurônios. Todas as funções e movimentos do organismo estão relacionados ao funcionamento destas pequenas células. Os neurônios estão conectados uns aos outros através de sinapses, e juntos formam uma grande rede, chamada REDE NEURAL. As sinapses transmitem estímulos através de diferentes concentrações de Na+ (Sódio) e K+ (Potássio), e o resultado disto pode ser estendido por todo o corpo humano. Esta grande rede proporciona uma fabulosa capacidade de processamento e armazenamento de informação.
O sistema nervoso é formado por um conjunto extremamente complexo de neurônios. Nos neurônios a comunicação é realizada através de impulsos, quando um impulso é recebido, o neurônio o processa, e passado um limite de ação, dispara um segundo impulso que produz uma substância neurotransmissora o qual flui do corpo celular para o axônio (que por sua vez pode ou não estar conectado a um dendrito de outra célula). O neurônio que transmite o pulso pode controlar a freqüência de pulsos aumentando ou diminuindo a polaridade na membrana pós sináptica. Eles têm um papel essencial na determinação do funcionamento, comportamento e do raciocínio do ser humano. Ao contrário das redes neurais artificiais, redes neurais naturais não transmitem sinais negativos, sua ativação é medida pela freqüência com que emite pulsos, freqüência esta de pulsos contínuos e positivos. As redes naturais não são uniformes como as redes artificiais, e apresentam uniformidade apenas em alguns pontos do organismo. Seus pulsos não são síncronos ou assíncronos, devido ao fato de não serem contínuos, o que a difere de redes artificiais.

Os principais componentes dos neurônios são:
Os dentritos, que tem por função, receber os estímulos transmitidos pelos outros neurônios;
O corpo de neurônio, também chamado de somma, que é responsável por coletar e combinar informações vindas de outros neurônios;
E finalmente o axônio, que é constituído de uma fibra tubular que pode alcançar até alguns metros, e é responsável por transmitir os estímulos para outras células.
Figura 5 - Esquema dos constituíntes da célula neural[2]


Uma observação importante: somos frutos dos registros realizados ao longo de nossas existências. Isso nos remete aos formatos dos multiestimuladores da criatividade que sempre nos fazem repensar de forma diferente daquela que estaríamos acostumados a fazer. Um bom exemplo é a técnica de Pensar em Liberdade (PL) onde somos instigados a pensar desordenadamente, a  pensar misturando tudo, a pensar criticamente (de forma radical e destrutiva), a pensar de forma incoerente, a pensar fantasticamente, a pensar ativa/automaticamente. Imediatamente após esse exercício de desbloqueio passamos a expandir nossa mente no real e no possível através da análise das variáveis e ingredientes, do pensar em alternativas, identificar os impossíveis, transformar impossíveis em possíveis, criar porquês encadeados (onde identifica as razões e depois as contradiz) e, assim, libertando nosso cérebro dos registros anteriores, podemos pensar libertos de nossos conceitos preexistentes.

Convém ressaltar que “todo ser vivo dotado de um sistema nervoso é capaz de modificar o seu comportamento em função de experiências passadas. Essa modificação comportamental é chamada de aprendizado, e ocorre no sistema nervoso através da propriedade chamada plasticidade cerebral.”[3]  Pensar em liberdade (PL) nos auxilia, rapidamente, a encontrar essa plasticidade e reeducar nosso pensar.

No capítulo IV – Preparando ambientes corporativos criativos e inovadores, vamos estudar como é possível pensar fora da caixa e modificar os modelos mentais tradicionais que não permitem realizar o salto quântico que levará as corporações ao mundo N=1 e R=G, conforme visto anteriormente.

Vejamos, portanto, alguns modelos mentais tradicionais e seus impactos nos colaboradores da organização:

1.      Modelo mental antigo: “Precisamos manter um controle rigoroso sobre os custos”
Ações típicas desse modelo mental: conter salários, protelar melhorias no ambiente e evitar ações de ampliação no nível de serviços aos clientes.
Resultados: Colaboradores insatisfeitos, alto custo no futuro para atualizar o patrimônio da empresa e clientes buscando os concorrentes.

2.      Modelo mental antigo: “Só se gerencia aquilo que se mede” (Peter Drucker[4])
Ações típicas desse modelo mental: somente as ações tangíveis são observadas. Ações que ainda não conseguimos medir são descartadas. Um bom exemplo disso é: quanto vale a motivação dos colaboradores, ou seja, se não consigo medir o quanto a motivação produz em resultados, simplesmente não consigo gerenciar e, portanto, descarto. Será que ganhos, hoje, intangíveis não merecem nossa atenção? Certamente não foi esse o foco do guru da administração contemporânea.
Resultados: continuamos gerenciando empresas como se estivéssemos em 1900. Até quando elas irão sobreviver em um mundo mutante?

3.      Modelo mental antigo: “É preciso gerenciar as metas pensando no horário dos funcionários”
Ações típicas desse modelo mental: se o funcionário atinge sua meta diária antes do horário previsto, deve continuar produzindo até que soe o apito da fábrica. Se por mais de uma vez ele terminar mais cedo, as metas devem ser revistas e ampliadas para que ele ocupe todo o seu tempo. O resultado final será um novo estudo de tempos e movimentos para determinar um novo patamar de metas.
Resultados: os colaboradores passam a realizar o trabalho sem nenhuma pressa, pois sabem que ela não vai beneficiá-los. Felizmente algumas empresas já descobriram que a administração por tempo de trabalho não leva a incremento de produtividade.  Oliveira (2010) registra a fala de  Deli Matsuo, Diretor de Recursos Humanos do Google América Latina, na Conferência Nacional de Gestão de Talentos 2010 “a produtividade não está atrelada ao “bater ponto””.

4.      Modelo mental antigo: “Precisamos cumprir as metas de curto prazo”
Ações típicas desse modelo mental: controle rigoroso de custos, principalmente dos salários; falta de percepção da importância dos investimentos que venham a produzir resultados no curto e longo prazo; falta de modernização das máquinas e equipamentos; pressão excessiva e não compensatória nos colaboradores; extrair o máximo dos fornecedores.
Resultados: estresse nocivo à saúde dos colaboradores; envelhecimento de máquinas e equipamentos, reduzindo gradativamente a produção; insatisfação dos funcionários em face de não recompensa pelos esforços realizados; perda desnecessária de clientes e fornecedores.

5.      Modelo mental antigo: “Redes colaborativas atrapalham a produtividade”
Ações decorrentes desse modelo mental: restringir e/ou controlar o acesso dos funcionários a essas redes; desenvolvimento de sites e blogs corporativos não alinhados como o mundo digital e com o novo perfil de consumidores; participação atabalhoada nas redes sociais, mormente pelo fato de querer se utilizar das mídias que mais crescem no mundo.
Resultado: Insatisfação dos funcionários, desagrado dos consumidores e ações inócuas e muitas vezes desastrosas no mundo virtual.

6.      Modelo mental antigo: “A concorrência é nociva”
Ações decorrentes desse modelo mental: Foco exclusivo em ações que venham derrubar a concorrência. Disputas na propaganda, por preços e por qualidade. O mercado passa a ser enxergado como uma selva extremamente competitiva.
Resultados: A coopetição e a inovação aberta deixam de ser utilizadas, aumentando a dificuldade de produzir inovações. A cada dia as fusões estão mais presentes na vida empresarial fazendo como que, muitas vezes, os inimigos se tornem sócios. (FUSCO, 2010, p. 104). O mundo N=1 e R=G fica cada vez mais distante.

7.      Modelo mental antigo: “O segredo é a alma do negócio”.
Ações decorrentes desse modelo mental: Muito semelhante ao anterior, às ações visam à manutenção de segredos industriais. Um grande exemplo é o Centro de Estilo da Fiat brasileira, único do gênero fora da Europa, onde “apenas 45 designers e engenheiros tem acesso ao galpão onde são desenhados os novos modelos da marca no país.” (AMORIM, 2010, p. 95) Contudo, são obrigados a deixar seus celulares e máquinas fotográficas do lado de fora das instalações, além de serem proibidos de comentar sobre os projetos com amigos e familiares.
Resultados: Pequena velocidade no lançamento de novos produtos e falta de aproveitamento dos recursos globais (R=G). Perda de mercado.

8.      Modelo mental antigo: “O erro deve ser punido”
Ações de correntes desse modelo mental: Talvez esse modelo mental tenha em suas raízes o primeiro conceito de qualidade – fazer certo da primeira vez, conforme o especificado – ou seja, o zero erro. O fazer diferente do especificado, com habitualidade, resulta em punição que muitas vezes culmina na demissão do colaborador.  Claro que um colaborador que erra sempre deve de alguma forma, receber um feedback e, posteriormente, ser punido. Para minimizar esse problema, muitas empresas adotam a famosa caixa de sugestões e creem que estão auxiliando a criatividade de seus colaboradores e reduzindo a possibilidade do erro dos seus subalternos. A busca pelo garantido e pelo sem risco é outra característica desse modelo mental. A questão é: será que errar eventualmente não é uma coisa saudável? A história de diversos inventores, pesquisadores e de empresários de sucesso está repleta de exemplos onde o erro, levou a uma mudança de conceito que tornou seu invento, sua pesquisa ou seu empreendimento um estrondoso sucesso. Para Nóbrega (2007, p.78) “sociedades não inovadoras tendem a se apegar ao certo, ao sem risco, ao garantido”.
Resultados: Como defesa, o colaborador se limita a realizar aquilo que é orientado a realizar, seguindo a receita previamente estabelecida para sua execução. Não correr riscos, certamente, será uma de suas táticas de sobrevivência. A auto desmotivação provavelmente será o estágio seguinte e, posteriormente seu desligamento das empresas.

Esses e outros modelos mentais merecem ser analisados com maior profundidade, tendo em vista o impacto que eles podem causar nas organizações. Trata-se de tema fértil e de grande alcance que carece de estudos.


2.2.           Modelos comportamentais tóxicos e competitivos


Vamos nos aprofundar em alguns modelos comportamentais que fazem parte do dia a dia das organizações. Segundo o dicionário Aulete (op. cit.), comportamento significa “modo de agir, em geral ou em uma determinada situação; conduta”. Como podemos observar esse modelo difere dos modelos mentais em que pese serem bastante próximos. Muito provavelmente os comportamentos são oriundos dos modelos mentais de seus executores. Cabe destacar a percepção de que os comportamentos são fruto de nossos modelos mentais:
Peter Senge, um importante pesquisador da área, acredita que a base para a transformação das pessoas e, por consequência, sua adaptação ao trabalho em equipe, está na compreensão dos modelos mentais que cada indivíduo possui. O modelo mental é composto de aspectos biológicos, históricos e culturais e, além de ser único (individual), é ele que cria nossos valores e premissas. (...). A questão comportamental está diretamente relacionada aos modelos mentais. Se não mudarmos a nossa maneira de pensar, não mudaremos a forma de agir. O verdadeiro aprendizado se dá quando passamos a investigar nossa forma de pensar e descobrimos que as nossas verdades podem ser questionadas e transformadas pelas outras pessoas.
(VILAÇA,2008)

Vejamos alguns modelos comportamentais que interferem na criatividade e, consequentemente, no processo de inovação empresarial. A relação a seguir merece ser ampliada e aprofundada.

1.        Chefes tóxicos: Para Bottoni (2009) um chefe tóxico é aquele contamina negativamente o ambiente de trabalho com seu comportamento. Também é conhecido como chefe tirano. Normalmente é ditatorial, culpa os outros pelos fracassos e está sempre de mau humor.
Ações típicas: ações incompatíveis com os valores das empresas; falta de respeito pela equipe; desrespeito as pessoas através de seu tom de voz, sua oratória; incapacidade de estimular o crescimento dos colaboradores; suas críticas não são construtivas; centralização excessiva; individualista; dificilmente atrai e retém os melhores talentos da empresa e, habitualmente, gerencia pelo medo. Para Gehringer (2008, p. 22) “É fácil reconhecer um chefe tirano. Difícil é conviver com ele. (...) é aquele que manda e desmanda. Que não ouve nem respeita ninguém. Que se irrita só com o fato de alguém esboçar uma opinião diferente. Que age como se fosse o dono de seus subordinados”.
Resultados: desmotivação e insatisfação da equipe; resultados duvidosos no longo prazo; falta de confiança dos pares e subordinados; cria um clima de excessiva competitividade. Segundo Bottini (2009) “as empresas ainda toleram pessoas com comportamento inadequado simplesmente porque elas entregam resultados no curto prazo”.

2.      Workaholic: é o profissional viciado no trabalho. Normalmente é o primeiro a entrar no escritório e o último a sair.
Ações típicas: excessivo número de horas dedicado ao trabalho; falta de preocupação com a sua saúde e com a dos colaboradores; exige atitude semelhante de seus funcionários; estimula o crescimento profissional de outros que possuam características semelhantes a sua; dedica, mesmo fora do escritório, todo seu tempo ao trabalho; cabe ressaltar que “o excesso de trabalho foi o principal fator de estresse entre os profissionais brasileiros em 2009”. (TOZZI, 2010, p.29)
Resultados: Além de problemas de saúde, que podem afastá-lo do trabalho, esquecem que essa era a visão do mundo onde a “equação definidora era: preço = custo + margem (...). A equação de hoje é outra: valor = cliente + capital intelectual. Logo, a base para criação de valor são os ativos intangíveis, como capturar a inteligência dos colaboradores e as necessidades dos clientes”. (TEIXEIRA, 2010 p. 90) e nesse contexto é necessário um novo perfil profissional: o worklover.

3.      Excesso de competitividade: É o profissional que não consegue viver longe da competição. Ele compete com tudo e com todos.
Ações típicas: Normalmente quer ser sempre o vencedor. Usa seu poder, com frequência, para destruir seus oponentes. Seu foco de negociação é o “ganha – perde”, ou seja eu ganho e você perde. Exige de sua equipe postura semelhante a sua. Valoriza apenas os funcionários altamente competitivos. Algumas vezes usa os ombros de seus pares (ou parceiros) como escada para o seu crescimento. Segundo Gurovitz (2005, p. 24), citando os críticos da Wal-Mart, ela  “é o símbolo de tudo que há de errado no capitalismo e na globalização (...) compactuando com o trabalho semiescravo (...) é (capaz) de espremer cada centavo nas negociações com fornecedores, até levá-los à bancarrota”.
Resultados: Um colaborador (ou empresa) viciado em competição não consegue enxergar as oportunidades das fusões, da inovação aberta e da coopetição. Habitualmente o ambiente de trabalho é estressante e os colaboradores trabalham com receio de suas ações. Seu “oponente” na negociação, na primeira oportunidade, pode realizar manobras para vê-lo em situação desconfortável ou de queda.

4.      Gestão não compartilhada: A delegação não faz parte de seu dia-a-dia. É o chefe que não sabe compartilhar.
Ações típicas: Pessoa altamente centralizadora, que não consegue delegar responsabilidades e autoridades para os seus colaboradores. É provável que por trás de um centralizador exista uma pessoa que não sabe trabalhar em time e que não acredita na capacidade de seus colaboradores. As decisões são tomadas por uma única pessoa que não sabe ouvir. Habitualmente não participa os resultados das reuniões, altera planos sem consultar seu criador e decide sem ouvir ninguém.
Resultados: Segundo Simões  (2005, p. 57), “quando a empresa é pequena, o dono pode e deve controlar cada etapa do negócio. Mas, quando ela dobra de tamanho, centralizar o poder é um grande erro”. Um dos resultados mais comuns é a baixa taxa de retenção de talentos. Quase sempre é mal visto por seus funcionários que se sentem sem oportunidades para crescer e de participar das decisões que os envolvem.

5.      Assédio Moral: Segundo define Hirigoyen, psiquiatra francesa e pioneira no estudo desse tema, citada por Khoury (2006) “assédio moral no trabalho (é) toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras, sonalidade, à dignidade, à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho”. Ou seja, é a exposição repetitiva e prolongada de situações constrangedores dos trabalhadores em uma empresa.
Ações típicas: Hirigoyen (KHOURY, 2006. p. 45-47) destaca as ações morais mais frequentes:  Atentado às condições de trabalho ( é quando dificulta ou prejudica o desempenho do trabalho);  Isolamento do trabalhador e recusa de comunicação direta ( o isolamento se dá de forma gradativa e o colaborador é privado de acesso a uma ferramenta importante para realização de seu trabalho);  Atentado à dignidade do trabalhador (o trabalhador é rotulado por algum conceito pejorativo ou passa a ser criticado diante de seus colegas ou superiores); Violência verbal ou física (o colaborador passa a ter sua vida pessoal invadida e ridicularizada). Na mesma linha, podemos citar a tendência que algumas empresas estão adotando através da implantação de câmeras para vigiar as ações dos colaboradores. Finalmente a era dos “Charles Chaplin modernos”, caracterizado no filme Tempos Modernos, chega ao fim.
            Resultados: Em decorrência da falta de condições de trabalho, o colaborador tende a se sentir incompetente, tendo em vista não conseguir realizar seus trabalhos adequadamente. O isolamento tende a expulsar, de forma velada, o colaborador da empresa ou, no mínimo, do setor por se sentir constrangido e relegado a um segundo plano. O atentado à dignidade abala a autoestima fazendo-o se sentir humilhado e discriminado. A violência verbal ou física com habitualidade passa a agir diretamente na saúde do trabalhador causando insônia, estresse, hipertensão arterial, abuso do álcool e, consequentemente, auto desmotivação e aumento de suas faltas. Contudo, são as ações judiciais aquelas que oferecem o maior risco institucional. No Brasil é prática comum à restrição ou limitação de tempo ao acesso ao banheiro ou beber café ou água, principalmente em confecções e empresas de telemarketing. O Tribunal Superior do Trabalho[5] acolheu, em 05/02/10, o pedido de ação de danos morais movida por uma funcionária de uma empresa de telemarketing que limitava em cinco minutos a ida ao banheiro. A empresa  tinha como norma, além do tempo acima, que as demais idas ao banheiro deveriam ser justificadas. A empresa foi condenada a pagar R$ 10.000 (dez mil reais) a título indenizatório, tendo em vista que a juíza entendeu que tal fato feria a constituição nacional, pois, violava os direitos constitucionais da autora, bem como sua honra e a dignidade da pessoa humana. O número de ações envolvendo o assédio moral vem crescendo no Brasil, conforme pode ser visto no quadro 3 – Volume de Ações de Assédio Moral no Brasil.

Quadro 5 - Volume de ações de assédio moral no Brasil
Ano
2007
2008
2009
Até julho 2010
Volume
106
261
434
245

É provável que o incremento desse volume esteja ocorrendo pelo aumento da consciência do trabalhador brasileiro ou que aja certa banalização dessas ações, ou seja, qualquer deslize do empregador o empregado entra com uma ação de assédio moral.
6.      Assédio Sexual: Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego brasileiro o assédio sexual é a “abordagem, não desejada pelo outro, com  intenção sexual ou insistência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de subalternos ou dependentes”[7].  A lei brasileira de número 10.244 de 15 de maio de 2001 trata do assunto e o define como “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” (PINTO,2005). O assédio sexual, portanto, considera várias vertentes que podem ser resumidas como segue:  não existe distinção entre o sexo do assediador ou assediado, assim, um ou outro pode ser do sexo masculino ou feminino ou ainda do mesmo sexo; habitualmente, contudo não obrigatoriamente, o assediador(a) possui algum tipo de ascendência sobre o assediado(a);  o assédio pode ser explicito ou subliminar;  face as suas características é de difícil julgamento por parte das autoridades competentes.
Ações típicas: um convite para o almoço ou jantar, fora do horário do trabalho; colocação em risco do emprego do(a) assediado(a), ação esta conhecida como assédio moral por chantagem ou ambiental; conversas e piadas maldosas; intimidação, onde as características do assediador estão em estreita ligação com seu comportamento agressivo. Assim, a obtenção de favores sexuais é  execrável e punível pela legislação brasileira.
Resultados: o(a) assediado(a) pode recorrer a justiça propondo danos morais ou aos superiores pedindo a rescisão do contrato do trabalho do(a) assediador(a) por justa causa. O surgimento do estresse e  de outras doenças também podem ser decorrentes dessa situação vexatória. A redução na produtividade, o aumento no nível de insatisfação no trabalho, auto desmotivação e, até, a perda do colaborador por demissão são resultados típicos da existência desse comportamento no ambiente de trabalho.
Cabe ressaltar que a resiliência, o equilíbrio, o autoconhecimento e a habilidade de negociação são sempre importantes para lidar com o assédio sexual e moral. Segundo Rodriguez (2006, p.10), em tradução livre pelo autor, “é a capacidade  dos seres humanos de ressurgir a partir do caos e da desordem característicos das situações de adversidade.(...)” Corroborando Rodriguez (2006) e Correia (2008), Navarro (2006, p. 33) indica que o termo resiliência “deriva da física e significa que alguns materiais tendem  acumular energia quando submetidos a um grande esforço, voltando ao seu estado original sem qualquer deformação”. Assim o ser humano possui resiliência quando assume sua capacidade de superação às pressões sofridas, retornando ao estado anterior ao do embate.


[1] Disponível em [Consultado em 12/07/2010]
[2] Disponível em [Consultado em 17/04/ 2008]

[3] Disponível em [Consultado em 18/01/2009]

[4] Disponível em [Consultado em 05/07/2010]
[5] Justiça condena empresa que limitava ida ao banheiro. Disponível em .   [Consultado em 08/02/2010]

[6]  Humilhação no Trabalho. Disponível em< http://www.dalmoro.com.br/noticias/107> [Consultado em 26/08/2010], citando como fonte  a  Folha de São Paulo, por Bruna Borges, Cristiane Queiroz, e Roberto Heloani, de 09.08.2010

[7]  Assédio Moral ou Sexual. Disponível em   [Consultado em 25/08/2010]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Em tempo de vacas gordas...

Em tempo de vacas gordas….

O BalancedScore Card é uma ferramenta que permite ao empresário e/ou empreendedor identificar as ações necessárias para atingir a visão da empresa.

Sem dúvida alguma é um ótimo instrumento de gestão, contudo, será que ele está sendo usado de forma coerente? Será que estamos dando a devida importância às diversas dimensões que compõem o mapa estratégico?

O Brasil cresceu bastante no ano de 2010, e está previsto crescimento para o ano de 2011. No caso do estado do Rio de Janeiro, essa previsão se expande até 2015/2016. O que fazer com o grande problema, amplamente divulgado pela mídia,  a dificuldade para contratar colaboradores qualificados?

O BSC considera, normalmente 4 dimensões: financeira, mercado , processos internos e pessoas e tecnologia. Por princípio, a parte superior deve contemplar aquela dimensão mais importante para o atingimento (foco nos resultados) da visão da empresa. É difícil encontrar um mapa estratégico onde mercado ou a área financeira não estejam no topo das estratégias.

É possível perceber que as empresas, bem ou mal, estão conseguindo ampliar mercados e receitas, contudo, as queixas continuam as mesmas, ou seja, é preciso contratar mão de obra (detesto o termo) qualificada.

Se essa é uma realidade que deve continuar existindo no curto e médio prazo, será que ao construir o mapa estratégico não deveriamos colocar a dimensão “Pessoas e Tecnologia” no topo do BSC? Será que atrair e reter talentos não deveria fazer parte da visão das empresas? Vivemos a era do conhecimento, onde as pessoas como agentes do conhecimento devem ser reconhecidas e, portanto, devem receber o destaque merecido.

Senhores empresários, será que é chegada a hora de valorizar os talentos de sua empresa? Claro que sim! Uma demissão pode chegar a custar duas vezes o salário anual de quem sai. Será que sua empresa adota práticas que estimulem a retenção dos talentosos? Em tempos de vagas gordas - e de vacas magras, também - são as pessoas que fazem a diferença.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A pesquisa de clima organizacional no diagnóstico da criatividade e inovação

A pesquisa de clima organizacional no diagnóstico da criatividade e inovação
Por Oscar Correia

Vejamos como identificar a existência de multibloqueadores através do diagnóstico de uma empresa. Para tanto vamos nos "apropriar" da metodologia utilizada pelas Revistas Época Negócios,  Exame e Você SA   na identificação dos fatores que conduzem a Felicidade no Trabalho e incluir outros aspectos aqui estudados.

A metodologia proposta considera o uso de questionários (com afirmações/perguntas fechadas e uma única  pergunta aberta)  a serem respondidos, de forma espontânea, por pelo menos 90% dos empregados que está estruturado em cinco dimensões principais:

·         Identidade – com afirmações/perguntas para identificar a forma pela qual a empresa dissemina a sua estratégia com o objetivo de verificar o alinhamento entre o foco do funcionário com o da empresa. “É o quanto os colaboradores acreditam que a empresa corresponde aos seus valores pessoais e com o quanto se identificam com fatores como reconhecimento, equidade, aprendizado, desenvolvimento de carreira, bem-estar e conforto na empresa”. (CANÇADO, 2006, p. 18-19)
·         Liderança – para identificar como o líder é visto pelos liderados, sua credibilidade, sua habilidade de se comunicar, seu senso de justiça e se a empresa se preocupa com seu treinamento, com a sucessão e com as competências desejadas.
·         Satisfação e Motivação – “A categoria contempla as opiniões das pessoas sobre as experiências que vivem na empresa, o trabalho que executam e o processo de gestão”. (CANÇADO, 2006, p.22-23). Nesta categoria vamos incluir o engajamento, que conforme visto, vai além da motivação.
·         Aprendizado e Desenvolvimento – “A percepção dos empregados quanto a essa categoria está relacionada aos seguintes fatores:  aprendizado e desenvolvimento no trabalho em si; educação corporativa e oportunidades de promoção”. (CANÇADO, 2006, p.26-27)
·         Cidadania Empresarial – com objetivo de identificar o formato adotado no que tange a responsabilidade socioambiental, tendo como balizador os princípios do Instituto Ethos, conforme estudado nesta dissertação.

Colocando em prática os dados acima, poderíamos desenvolver o seguinte questionário, que para efeito deste trabalho iremos omitir a apresentação, os critérios, o sigilo e os objetivos deste check-list lógico-emocional.

Dimensão: Identidade
1)    Conheço e concordo com os objetivos da organização
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
2)    Tenho orgulho da empresa que trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
3)    Participo das decisões que afetam a mim e ao meu trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
4)    Recomendo a empresa a parentes e amigos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
5)    A empresa trata igualmente bem os funcionários, clientes, fornecedores e acionistas.
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
6)    Meus princípios e valores são compatíveis com os da empresa
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
7)    A empresa aplica no dia a dia seus princípios e valores
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
8)    Conheço o trabalho que devo realizar
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
9)    A gestão da empresa é transparente e compartilhada
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
10) A empresa estimula o trabalho em time com equipes auto gerenciáveis
(  ) Sempre (  ) Quase sempre (   ) Algumas vezes (  ) Raramente (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião

Dimensão: Satisfação e Motivação
11)  Sou reconhecido quando faço um bom trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
12) Sou recompensado quando faço um bom trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
13) Confio na empresa, no chefe e nos colegas
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
14) Consigo dar conta de meu trabalho durante o expediente
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
15) Minha remuneração é compatível com o trabalho que realizo
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
16) Acho bom o pacote de benefícios
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
17) Meus colegas também são comprometidos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes   (  ) Raramente   (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
18) Tenho um ótimo ambiente de trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
19) Recebo equipamentos e materiais de qualidade para realizar o meu trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
20) Faço o que sei fazer de melhor
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião

Dimensão: Liderança
21) Meu superior transmite respeito e credibilidade
(  ) Sempre   (  ) Quase sempre (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
22) Meu superior respeita a diversidade da equipe e cria oportunidades iguais para todos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
23) Meu superior é um exemplo a ser seguido
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
24) Meu superior ouve e respeita a opinião da equipe
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
25) Meu superior cumpre o que promete
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
26) Meu superior é justo e coerente nas suas decisões
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
27) Meu superior  pode ser considerado como um verdadeiro líder
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
28) Meu superior dá liberdade aos funcionários para falarem tanto de assuntos profissionais quanto pessoais
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
29) Somos sempre apoiados nas ações que envolvem risco
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
30) O superior compartilha informações necessárias ao trabalho de sua equipe
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião

Dimensão: Aprendizado e Desenvolvimento
31) Sei o que fazer para progredir profissionalmente na empresa
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
32) Sou estimulado a buscar conhecimento dentro e fora da empresa
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
33) Recebo avaliações de desempenho justas e sinceras de meu chefe
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
34) Os critérios de promoção são justos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
35) Os critérios de carreira me permitem crescer mesmo que não queira me tornar gestor
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
36) Meu trabalho me permite aprender coisas novas
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
37) Meu chefe está sempre envolvido nos processos de aprendizagem da equipe
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
38) Recebo feedback constante de meus trabalhos, independente da época de avaliação de desempenho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
39) A burocracia, as rotinas e os processos  existentes na empresa não dificultam meu trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
40) A empresa cria condições necessárias para meu aprendizado e desenvolvimento
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião

Dimensão: Cidadania Empresarial
41) A empresa se preocupa com a saúde e com o bem-estar dos funcionários
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
42) A empresa se preocupa com a segurança no trabalho
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
43) A empresa se preocupa com a integridade física, psíquica e social de seus funcionários, acionistas, clientes, fornecedores e com a comunidade
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
44)  A empresa respeita a meio ambiente
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
45) A empresa procura desenvolver produtos e serviços ecologicamente corretos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
46) A empresa não tolera nenhuma forma de assédio moral ou sexual nem tão pouco a existência de chefes tóxicos
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
47) A empresa estimula a diversidade de seus colaboradores
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
48) Meu chefe sabe lidar com a diversidade de sua equipe
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
49) A empresa sempre adotou uma postura inclusiva. Sempre vi portadores de necessidades especiais trabalhando na empresa.
(  ) Sempre  (  ) Quase sempre  (   ) Algumas vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
50) Penso em mudar de emprego
(  ) Nunca  (  ) Raramente  (   ) Algumas vezes  (  ) Quase sempre  (  ) Sempre (  ) Não aplicável ou não tenho opinião
51) Indique uma palavra que reflita sua opinião sobre a empresa ______________

Pesos
Sempre = 5
Quase sempre = 4
Algumas Vezes = 3
Raramente = 2
Nunca =1
Não aplicável ou não tenho opinião = 0

Resultados (soma dos pontos)
Até 149 - A hora de mudar é agora, não demore.
150 - 169 - É necessário agir. A continuar nesse ritmo a empresa, em pouco tempo, vai sentir perda de mercado.
170 - 199 - Sua empresa está no caminho certo, com algumas poucas ações será possível pular para o grupo das melhores.
200 - 250 – Parabéns sua empresa pode ser considerada como uma das melhores empresas para se trabalhar

Dependendo dos resultados obtidos uma ou outra área pode ser objeto de melhorias, assim, cada dimensão deve ser analisada individualmente, como por exemplo:


Quadro 17 – Avaliação dos resultados de cada dimensão obtidos através da Pesquisa de Clima
Dimensão
Até 29 pontos
30 – 34 pontos
35 – 39 pontos
40 – 50 pontos
Identidade
Alto risco de turnover de pessoal.  Existem muitos bloqueadores prejudicando.
É preciso alinhar valores pessoais com os da empresa. É preciso rever aspectos estruturais e comportamentais
Bom alinhamento entre princípios e valores dos funcionários e da empresa. Reforce os aspectos positivos e cheque aqueles que precisam ser melhorados
Em time que está ganhando é que se deve mexer. Aproveite e melhore ainda mais a dimensão identidade
Motivação e Satisfação
Identifique as causa e corrija. É preciso rapidez.
Verifique as pontuações mais baixas e comece por ai.
É hora de migrar da motivação para o engajamento[1] onde a empresa deve, também, criar condições para tornar os colaboradores mais participativos. 
Certamente existe engajamento dos colaboradores, procure ampliá-lo ainda mais. Colaborador feliz é mais produtivo e tende a gerar maior rentabilidade
Liderança
É preciso trabalhar a relação chefia - subordinado. Seja breve.
O relacionamento chefe - subordinado deve ser melhorado
Ajuste o foco corrigindo distorções existentes entre chefia e chefiados. Provavelmente ainda existem modelos mentais e comportamentais a serem modificados
Apare eventuais arestas. Investir nessa dimensão criar novas oportunidades
Aprendizagem e desenvolvimento
Cuidado, risco de obsolescência dos funcionários.
Convém investir em políticas com foco no desenvolvimento e na aprendizagem dos colaboradores.
Momento de gerar aspectos que favoreçam essa dimensão. Será possível o desenvolvimento em “Y”?
Solte a criatividade e descubra novos mecanismos que favoreçam essa dimensão sem minar ou pressionar os custos
Cidadania Empresarial
Que imagem a empresa quer passar?
É conveniente aumentar a preocupação com a sustentabilidade e RSE (Responsabilidade Social Empresarial), principalmente em casa.
Reforce a RSE. Divulgue as ações da empresa e, se possível, envolva os colaboradores.
Hora de vender essa imagem para a sociedade. Melhore ainda mais essa dimensão

Notas: Oportunamente os multibloqueadores à criatividade e inovação estarão disponíveis.
          A presente pesquisa de clima organizacional pode ser utilizada desde que a fonte seja citada.

Bibliografia

CANÇADO, Patrícia. O novo papel do chefe. As 150 melhores empresas para você trabalhar. Exame/ Você SA. São Paulo: Abril, ed. Especial, p.24-25, 2006

CORREIA, Oscar. Click metamorfósico organizacional - novos paradigmas para empresas criativas e inovadoras. Dissertação de Mestrado. Universidade Fernando Pessoa - IACAT. Porto, 2011.



[1] Vide conceito de engajamento na página 63 desta dissertação

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O que as empresas podem aprender com as tragédias.


O que as empresas podem aprender com as tragédias.

Os noticiários não param de falar sobre a tragédia que se abalou sobre a região serrana do Rio de Janeiro, contudo, as vivências em Nova Friburgo, certamente, se repetiram nas demais regiões. São elas que servem de base para este artigo.

Lição 1 – Se alguma coisa precisa ser feita com urgência, a cooperação e o trabalho em time é a melhor opção: Em nossa cidade pessoas que nunca haviam se visto se uniram na tentativa de salvar vidas. Uma aula de trabalho em time. A fogueira das vaidades foi abandonada em detrimento da meta maior: salvar ou confortar vítimas. Quando a meta é entendida por todos e os valores são relevantes o trabalho flui como se todos estivessem treinados para resolvê-los. Pedreiros, dentistas, professores, domésticas, estudantes, donas de casa etc se uniram para realizar alguma ação que pudesse ajudar na tragédia. Porque será que as empresas gastam fortunas para criar o espírito de equipe em seus colaboradores? Porque será que nas tragédias as pessoas formam times com lideranças espontâneas que funcionam? A resposta parece simples: a meta é entendida por todos e os valores são relevantes. Assim: crie metas (independente do grau de dificuldade); faça com que todos entendam; que as metas sejam relevantes; engaje as pessoas; respeite as pessoas; acredite nas pessoas; creia que a diversidade pode se tornar na unidade inquebrantável (através da cooperação espontânea); adote e pratique valores que conduzam a equidade das pessoas. Eis a chave do sucesso que essa primeira lição nos dá. 

Lição 2 – Permita que as pessoas realizem trabalhos que sejam adequados as suas características:  Nas tragédias aquelas pessoas que estão mais aptas para realizar salvamentos criam forças tarefas e fazem coisas impensáveis através de ações criativas, na maioria das vezes simples. Voluntários se unem para descarregar caminhões em tempo recorde ou para, como elos de uma corrente, montar cestas básicas que irão amenizar o sofrimento de muitos. Bombeiros, soldados, adolescentes, mecânicos, produtores rurais etc todos juntos em torno de um mesmo objetivo. Na maioria das empresas para crescer as pessoas deixam suas funções técnicas para agir como gestores. Normalmente perde-se um ótimo técnico e ganha-se um gestor medíocre. Porque não criar um sistema de recompensas em “Y” onde técnicos e gestores possam progredir, cada qual na sua praia? E mais, dê para as pessoas tarefas desafiadoras e não as puna por fracassos esporádicos. A participação e a realização são os maiores prêmios para esses colaboradores.
Lição 3 – Olhe o curto prazo sem perder de vista o longo prazo: As crises podem ser associadas a um paciente em estado grave que chega a um hospital – o primeiro passo é salvar a vida, depois estabilizar o quadro e, finalmente, curar o paciente. Assim na crise, assim nas empresas. Na tragédia em Nova Friburgo não foi diferente: o primeiro passo foi criar acessos que possibilitariam chegar às vítimas; o passo seguinte foi montar uma infraestrutura que possibilitasse atender aos resgatados que naquele instante apresentavam quadros graves de saúde, além um enorme número de vítimas fatais. Passado esse curtíssimo prazo é importante adequar a infraestrutura para atender as doenças provocadas pela calamidade e começar a reconstrução da cidade. Aluguéis sociais, construções para os desabrigados, fomento para recuperação das empresas, apoio aos desabrigados e desempregados, mapeamento e ações para conter o crescimento demográfico nas áreas de risco e um sem número de ações necessárias para minimizar o impacto da crise. Nas empresas não deve ser diferente, contudo, grande parte delas só consegue enxergar o curto prazo esquecendo-se do logo adiante. A receita antiga que não mais faz sentido: metas crescentes para sanar o agora, muitas vezes em detrimento ao amanhã. Uma ferramenta simples e bastante útil é o Balanced ScoreCard, ela pode ser utilizada nos vendavais das crises e nas calmarias dos momentos de crescimentos.

Lição 4 – É preciso usar, com maestria, os dois hemisférios do cérebro: Se por um lado o planejamento necessita um esforço maior do hemisfério esquerdo (a razão), sem o uso do hemisfério direito (a emoção) não seria possível resgatar tantas pessoas. Contudo, o planejamento deve ser feito tendo como base a solução do problema e da valorização do humano e, portanto, dos aspectos emocionais. Por outro lado, os resgates devem ser feitos considerando as ações seguras e, portanto, utilizando-se a razão. Nas empresas não pode ser diferente: coração e mente devem andar de mãos dadas.

Lição 5 – Criatividade e inovação são palavras desse século: Em uma catástrofe que foi considerada como uma das 10 maiores da humanidade, soluções antigas, na maioria das vezes, não servem mais. Foi preciso ousar para unificar tanta diversidade. Nem sempre as soluções usadas no Haiti foram apropriadas para o nosso caso. É preciso inovar...é preciso ser criativo. Gosto muito do conceito budista da impermanência (nada é permanente, tudo se transforma) e creio que ele cai como uma luva nos tempos atuais. Empresas atuais que adotarem soluções antigas para resolver novos problemas estão fadadas ao insucesso. A criatividade e a inovação nos permitem navegar com segurança o mar revolto da impermanência da atualidade.

Muitas outras lições poderiam ser descritas e associadas às empresas, porém gostaria de finalizar com o seguinte pensamento:
As finanças são importantes;
Os materiais e as informações, também;
Contudo, são as pessoas que fazem a diferença.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desafio 2011: Reter Talentos

Desafio 2011: Reter Talentos

Desafio 2011: Reter Talentos. Sua empresa está preparada? Esse foi o tema do bate papo com os feras de Gestão do Capital Humano  de Nova Friburgo e adjacências, que aconteceu no SESI Friburgo, ontem 08/12/10.
A conversa iniciou com alguns dados sobre o cenário atual de nossa economia, que pode ser sintetizado como segue:
       Crescimento do PIB;
       Aumento da massa salarial;
       Incremento da produção para atender a demanda;
       Índice de desemprego – 6,1% ( na região metropolitana de Porto Alegre, 3,7%);
       Necessidade de contratar colaboradores;
       Forte crescimento dos investimentos no RJ;
       Turnover -  17,47% (c/ CTPS) e 62,82% (s/ CTPS);
       Projeto governamental desenvolvimentista;
       O Brasil ocupa o 2º. Lugar  no ranking mundial de insatisfação com o emprego e com o salário.
       Infraestrutura deficiente;
       Alto custo trabalhista;
       Altas margens de lucro;
       Falta de canais para inovação;
       As novas percepções que geração Y está trazendo para dentro das empresas;
       Etc.
Ou seja, está difícil contratar porque as empresas já estão usando o estoque de desempregados que no momento está muito baixo, em alguns casos, tão baixo quanto na Noruega. Aliado a esse fato, o descontentamento dos empregados.

Mas porque esse descontentamento? Para começar o  modelo mental de grande parte dos empresários ainda segue os preceitos de Taylor, Fayol e, claro, Ford. Basta abrir os jornais e ler: “Precisamos qualificar a mão de obra”; “Apagão da mão de obra”; “Está difícil  encontrar mão de obra qualificada” ou seja, o paradigma da mão de obra de Ford ainda está presente. Não custa nada lembrar que no início do século passado, as indústrias precisavam de executores robotizados para sua linha de montagem, daí o termo mão de obra, pois só eram necessárias as mãos dos trabalhadores.

O que pensar do uso dessa terminologia em plena era do capital humano? Na melhor das hipóteses retrata o inconsciente desses empresários.

Claro, existem diversos modelos mentais e comportamentais que auxiliam na insatisfação dos colaboradores, contudo, a adoção de estruturas hierárquicas típicas de 1900, excesso de restrições  provocadas pela burrocracia imperante, aliada a rotinas e processos pouco criativos conduzem ao estágio de desânimo. O que dizer então do constrangimento do colaborador que se vê controlado quando vai ao banheiro?

Se já está difícil contratar o capital humano, como fazer para MANTER seus colaboradores mais talentosos? Sim, são eles que as empresas estão procurando!   

O momento exige uma mudança de postura gerencial de forma a privilegiar os talentosos que entregam resultados.  Custa muito mais caro preparar um novo talento, do que manter a auto motivação de seus colaboradores atuais.

Ao invés de se preocupar com o apagão da mão de obra, talvez fosse mais prudente se concentrar no que fazer para RETER o melhor do capital intelectual de sua empresa.

Por isso creio que o grande desafio para 2011 será  RETER talentos.

domingo, 16 de maio de 2010

Inteligência emocional no mundo N=1 e R=G

Inteligência Emocional no mundo N=1 e R=G

Positivamente uma grande transformação no mundo dos negócios está em andamento.

Por um lado, pesquisas indicam que a Inteligência Emocional é mais importante do que a Inteligência Racional, conforme artigo de Paula Dias, denominado Mens Sana. O artigo indica uma pesquisa cujos resultados podem ser sumarizados como segue:

• 75% Acreditam que a Inteligência Emocional é mais importante que a racional;
• 19% Acreditam que a Inteligência Emocional é tão importante quanto a Técnica;
• 6% Acreditam que a Técnica é mais importante que a Emocional.

Neste artigo Waleska Farias faz a seguinte observação “Na hora de contratar, a empresa quer saber como é o temperamento do candidato. Se interage, tem iniciativa e reage bem ao feedback”. Ou seja, comportamentos que refletem nossas atitudes.

Gostaria de lembrar aos leitores o olhar que mantenho sobre competência, que para mim pode ser sintetizada como CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes). Será que poderíamos associar a Inteligência Emocional a Atitude? Creio que sim, pois nossas atitudes refletem nossa Inteligência Emocional. Será que o Adriano do Flamengo, para não me estender na lista, seria contratado por uma empresa que adotasse essa percepção na seleção de seus candidatos? Creio que não.

Por outro lado, existe uma tendência defendida por Prahalad (2008 p. 10 a 27) que aponta o caminho para empresas inovadoras que querem se manter vivas nos próximos anos, o que ele chama de Princípios N=1 e R=G.

O Princípio N=1 indica que “O indivíduo situa-se no âmago da experiência. Se o lócus do valor se desloca de produtos e serviços para experiências, a criação de valor deve concentrar-se, quase por definição, em cada consumidor como indivíduo”. Assim, esse princípio vai além da customização em grande escala, ele considera a cocriação da experiência única de cada consumidor. Ou seja, você participa da criação do produto que você vai consumir. Esse pilar do novo mundo, parte da premissa de que as empresas precisam aprender a conhecer cada um de seus clientes, mesmo que ele seja um dos seus 100 milhões de clientes, e produzir uma experiência única (produto e/ou serviço) para cada um deles.

Já o “Princípio R=G refere-se à natureza da base de recursos de grandes empresas e ao aprendizado de como acessar recursos de alta qualidade a baixo custo.” Neste segundo pilar, onde R significa recursos e G, globais, as empresas não mais devem se concentrar na propriedade dos recursos e sim no acesso a eles, onde quer que eles estejam.

Um exemplo citado por ele é o do “iPod Fifth Generation, de 30 gigabytes. Os drives de disco são produzidos pela Toshiba; os módulos de display, pela Matsuchita e Toshiba, no Japão; a memora SDRAM, pela Sansung, na Coréia; e os processadores de vídeo, pela Broadcom, empresa americana. A montagem final do produto é feita por uma empresa de Taiwan, a Inventec, em suas instalações na China. A Apple declara com orgulho, no iPod, que ele é “projetado na Califórnia”. A Apple não fabrica o dispositivo nem cria o conteúdo, ou seja, as músicas que vende.(...) A Apple é, efetivamente, um modelo N=1 e R=G, que alavanca sua rede de recursos globais na cocriação de experiência singulares com cada um dos seus clientes”.

Para viver em um mundo vivo, onde as mudanças passaram a ser a normalidade e onde a tecnologia é volátil é preciso mais do que Conhecimento, reflexo da inteligência técnica, é preciso, também, de Habilidades, em seu sentido mais amplo, para colocar em prática os conhecimentos. Contudo, são as Atitudes dos colaboradores, reflexos de suas inteligências emocionais, que fazem a diferença no mundo N=1 e R=G.


Bibliografia

DIAS, Paula. Mens Sana: inteligência emocional passa a ser mais importante que conhecimento técnico. O Globo – Caderno Boa Chance de 16/05/10

PRAHALAD, C.K. e KRISHNAN, M.S. A Nova Era da Inovação: impulsionando a cocriação de valor ao longo das redes globais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008