
Oscar
Orkut, recrutamento e seleção
Todos sabem que muitas empresas checam no orkut, o perfil de seus candidatos.Você acha válido este tipo de consulta?"

A hora da verdade.
Sob o título de “Chefe Despreparado” a revista Você SA de agosto de 2008 faz um balanço que indica que a maioria dos gestores não está preparada (50,03%) ou precisam se desenvolver (38,43%). Ou seja, existe um “descompasso entre o perfil atual do gerente e as exigências do mercado”.
“O que o mercado exige dos gestores:
. Trabalhar em time e desenvolver pessoas.
. Saber reagir a mudanças e responder às situações novas.
. Comunicar-se bem verbalmente e por escrito.
. Enfrentar momentos de pressão com equilíbrio e clareza.
. Desenvolver-se sempre e trazer melhorias para o ambiente.
. Saber negociar questões relevantes e gerar resultados.
. Tomar decisões com base em uma visão ampla da situação.
. Saber administrar conflitos e costurar acordos.”
Em um Brasil com acelerado ritmo de crescimento econômico, possuir um quadro de gestores com esse perfil é, no mínimo, preocupante.
Essa preocupação pode ser observada através do crescente investimento em capacitação e desenvolvimento que as empresas mais antenadas estão promovendo.
Para agravar esse problema de aumento de demanda por pessoas qualificadas e escassez de pessoas preparadas, as multinacionais alargaram seus espectros de contratação e começam a prospectar talentos em todo o mundo. A América Latina, em especial o Brasil, é o principal foco de atenção dos caça-talentos.
Na mesma revista, o artigo “O problema é de todos” relata trechos da entrevista com o LÚCIDO diretor mundial de gestão de pessoas da SAP, hoje com 53.000 colaboradores. Ele propõe um esforço global para evitar uma guerra para contratar talentos. “Para resolver essa questão, Claus quer juntar na mesma mesa de discussão empresários, executivos e governo.” Mais adiante ele comenta: “Se não temos mão-de-obra qualificada em número suficiente no mercado, o que acontece é uma briga por talentos. No próximo ano, somente a SAP tem uma demanda por 1.300 profissionais com conhecimento de idiomas e tecnologia. Provavelmente um terço desses profissionais será recrutado por nossos parceiros. Outro terço, pelos nossos concorrente. Com sorte, nós teremos recrutado parte do restante. Falta gente para suportar a estratégia de crescimento das empresas.”
Creio que o termo mão-de-obra foi traduzido indevidamente pelo jornalista da matéria, tendo em vista que ele, certamente, é uma pessoa visionária e ciente da importância das pessoas para fazer as empresas crescerem nesse cenário turbulento. Veja se minha percepção é correta: “Para ser bem honesto, eu não gosto da expressão gestão de talentos. Ela se tornou sinônimo de um grupo especial de pessoas. Eu prefiro a expressão de gestão do desenvolvimento. Minha missão é desenvolver os 53.000 funcionários da SAP. Precisamos de todos eles. Olhamos os profissionais com baixo desempenho e perguntamos ´como ajudá-los a melhorar?´ O que importa é a expressão ´desenvolvimento de pessoas´ quer dizer todo mundo, e não apenas um grupo de iluminados”.
Além dessa problemática, as empresas, através de gestores despreparados, precisam conviver e aprender a lidar com a chamada Geração Y (pessoas nascidas entre os anos 80 e 90)., onde as fórmulas de retenção de pessoas usadas no passado (aumento salarial) já se mostram insuficientes. Desafios, oportunidades de desenvolvimento e bom clima organizacional são tão importantes – ou até mais - quanto o salário. A geração anterior – que eu chamo de peopleware – deu muita dor de cabeça até ser entendida e melhor gerida.
Assim, cada geração traz consigo uma nova forma de olhar o mundo e as empresas precisam, rapidamente, perceber essa nova demanda e se adaptar a ela.
Gestores de todo o mundo: acordai! São as pessoas que fazem à diferença! Chega de olhar apenas para o umbigo, ou para os resultados de curto prazo. As pessoas estão mudando de emprego porque durante todo esse tempo, o resultado imediato foi a tônica da gestão empresarial. Os clientes estão sumindo porque vocês esqueceram que são eles que pagam o seu salário no fim do mês. O curto prazo só é importante se ele for parte integrante de uma estratégia mais longa.
Gostaria de encerrar esse papo com uma frase de Eugênio Mussak, professor da FIA:
“O melhor lugar do mundo é aquele que você pode ajudar a ficar ainda melhor.”



“Um homem vivia na beira da estrada e vendia cachorro-quentes. Não tinha rádio e, por deficiência de vista, não podia ler jornais, mas, em compensação, vendia bons cachorro-quentes.
O texto a seguir foi extraído dom site www.marcospontes.net em 16/01/02.
De forma muito engraçada, o autor e astronauta brasileiro Marcos Pontes dá as dicas para se fazer as necessidades básicas no espaço.
Para mim é um grande exemplo de planejamento, contado de forma descontraída
e que nos remete a visualização da situação descrita.
Boa leitura!
"Fazer as necessidades básicas no espaço
O problema é a tal da gravidade! Na verdade, a falta dela. Primeiro, é necessário conectar-se ao vaso. Depois, assegurar-se que “nada” irá retornar ao “local de origem” ou, pior ainda, ficar flutuando indevidamente pela cabine. Realmente, ir ao banheiro no espaço não é simples. Conselho útil: nunca deixar para a última hora!
Na verdade, o procedimento não é complicado. Ainda bem. Mas precisa, como um todo, de um certo planejamento pessoal. Basicamente, a questão se divide em duas partes: como permanecer ligado ao vaso e como fazer para que qualquer material produzido, líquido ou sólido, siga na direção correta. As respostas a esses dois problemas são completamente cobertas pela metodologia do procedimento previsto no “check-list” da espaçonave. Como este é um assunto que aparece com grande freqüência na lista de curiosidades sobre a vida no espaço, vamos falar um pouco sobre como funciona esse sistema no ônibus espacial.
Comecemos com a necessidade de “prender-se” ao vaso. Isso é feito com o auxílio de fitas restritoras equipadas com velcro para segurar os pés. Isto é, na frente do equipamento “WMS”, o “Waste Management System” - vulgarmente conhecido por vaso sanitário, existem dois suportes para os pés. Nas laterais desses suportes temos fitas cobertas com velcro que são ajustadas ao redor de cada pé. Assim, o primeiro passo na preparação para a “atividade” é assegurar-se que existe uma boa fixação dos pés. Depois, uma vez sentado, o firme contato com o vaso é garantido por dois restritores metálicos retráteis. Eles são inicialmente localizados ao lado do assento. Um de cada lado. Para posicioná-los, eles devem ser levantados e girados sobre as coxas do astronauta, quase na altura da cintura. Utilizando molas, esses dispositivos mantêm o tripulante firmemente sentado, sem a necessidade de segurar-se nessa posição durante todo o processo. Não é necessário dizer que, logicamente, nesse passo do procedimento, as roupas já devem estar fora do caminho!
Acabou? Claro que não. Para estar “realmente conectado”, também é preciso cuidar dos líquidos. Afinal, essas coisas, sólidos e líquidos, podem ser processadas ao mesmo tempo ou quase na seqüência!
Inicialmente, é importante ressaltar que cada tripulante tem o seu próprio “adaptador”. É isso mesmo, adaptador! E, assim como escova de dentes, não se empresta esse item tão privado! Para não ter dúvida, cada um tem sua própria cor, individual. O comandante pode ser verde, por exemplo.
O primeiro especialista de missão, azul. E assim por diante. Obviamente, são diferentes também em formato para homens e mulheres, é claro. Simples conseqüência do desenho original da natureza. Muito bem. Conhecidos os adaptadores, vamos para o processo em si. No centro, na parte dianteira do vaso, o sistema possui um tubo para a coleta de urina. Na ponta do tubo encaixamos o adaptador que, por sua vez, é “adaptado no tripulante”. Tudo conectado, tudo checado, estamos completamente prontos para “relaxar” e usar o sistema. Certo? Errado! E a parte do direcionamento dos materiais produzidos? Isso é conseguido através do uso de uma sucção regulada de ar para interior do sistema. O diferencial de pressão é obtido gratuitamente do ambiente exterior, o espaço. Contudo, como nesse ambiente externo a pressão é praticamente nula (quase vácuo), é necessário controlar e reduzir essa diferença de pressão com relação ao ambiente interno da espaçonave. Isto é, deve-se ter apenas uma leve sucção. Afinal, ninguém quer que o tripulante seja “virado no avesso”! Para tanto, existem vários reguladores e válvulas de segurança instalados nessa linha de descompressão. Essa linha é aberta através de uma válvula principal comandada na parte inferior direita do vaso. Portanto, abrir essa válvula é também um passo essencial do procedimento.
Quando a linha é aberta, podemos ouvir da sucção, um som bastante alto, diga-se de passagem, e sentir o fluxo de ar no coletor de sólidos e no tubo para líquidos.
Agora sim, tudo ficou igual a ir ao banheiro aqui na Terra. Sem necessidade de explicações extras. Como auxílio operacional, caso alguma parte do procedimento seja esquecida ou simplesmente para leitura durante o “processo”, o tripulante tem, a sua disposição, um “check-list” que contém a descrição detalhada de todos procedimentos necessários pelo sistema. Ele é fixado com velcro à parede do pequeno banheiro. Ainda, nessa mesma parede, do lado esquerdo, temos os lenços higiênicos para a limpeza pessoal após a atividade. Aliás, os passos para finalizar o procedimento são, basicamente, o caminho inverso do que foi feito anteriormente. Primeiro, a válvula de sucção é desligada. Depois, o tubo de coleta de líquidos é desconectado. Para possibilitar a limpeza pessoal, solta-se o restritor das coxas. Os lenços utilizados são depositados em um recipiente do lado esquerdo do vaso. Finalmente, soltam-se as fitas restritoras dos pés. Não é necessário dar descarga. A sucção já cuidou de coletar os sólidos e líquidos no local correto no sistema. Nada é lançado ao espaço. Ninguém quer produzir mais lixo espacial! Tudo fica estocado no veículo, em recipientes apropriados, durante toda a missão. Após o pouso esse material é recolhido e descartado pelo pessoal de suporte.
Simples, não é? Mas espere, ainda faltou uma parte importante do sistema para ser descrita. Aliás, uma parte bastante peculiar. O orifício do vaso sanitário, por onde passam os sólidos, tem apenas oito centímetros de diâmetro. Isto é, ele é estreito. Somado a isso, como era de se esperar, dadas as restrições da microgravidade, não existe água de descarga no interior do vaso, como normalmente observamos aqui na Terra.
Como resultado, existe a necessidade de se “alinhar e acertar” corretamente o orifício durante o processo de “produção dos sólidos” para evitar deixar muitos resíduos nas paredes no coletor, visto que o próprio tripulante é responsável pela limpeza posterior do equipamento. Ou seja, é bom não errar o alvo! Para nos auxiliar nessa tarefa de “apontar” corretamente, existe uma câmera instalada dentro do vaso, produzindo imagens que são vistas pelo tripulante, durante o processo, em um monitor colocado na parede esquerda superior do banheiro. Bastante estranho, mas necessário. Realmente, nessa profissão temos que nos conhecer completamente. Algumas vezes até um pouco mais do que gostaríamos! "